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GB Entrevista: Uma vida, um encontro, uma história – Vera Cals

Nos últimos dez anos, o sonho do Grande Mestre Carlos Gracie vem se tornando realidade através do movimento Jiu-Jitsu Para Todos. O sonho do criador do BJJ se transformou na missão dada pelo seu filho, Mestre Carlos Gracie Jr, a Gracie Barra. Levar a arte suave ao maior número de pessoas possível é também, apresentá-las ao estilo de vida que Carlos Gracie deixou ao seu legado.

“Cada pessoa que veste um kimono e acredita no Jiu-Jitsu que é ensinado por mim e minha família representa a realização do trabalho da minha vida.”  – Grande Mestre Carlos Gracie (1902-1994)

Graças ao seu trabalho, alunos, atletas e professores (sejam eles Gracie Barra ou não) gostariam de ter tido a chance de conhecer pessoalmente o Grande Mestre. Um encontro que certamente não se resumiria a aprender as técnicas de defesa pessoal ou desportivas, mas também a famosa dieta que o fez ter uma vida longa e sadia – a Dieta Gracie. Justamente por esse motivo, a oportunidade de conhecê-lo veio para a faixa roxa da GB Itaipava (RJ), Vera Cals e, melhor ainda, ela compartilhou com a GB Brasil!

Preocupada desde cedo em ter uma vida saudável, Vera, antes mesmo de vestir um kimono pela primeira vez, foi ao encontro de Carlos Gracie para auxiliá-la nesse intento. Hoje aos 72 anos de idade, Verinha treina diariamente e deixa muitos jovens com inveja da sua disposição.

Inspirada pelo seu pai, Affonso Évora, Vera Cals desde cedo pratica esportes e é tida como um grande exemplo a ser seguido. Confira a seguir, um pouco mais sobre o grande exemplo de Verinha e como aconteceu seu memorável encontro com o pai do jiu-jitsu brasileiro.

[GB Brasil] Você teve a honra de ter seu pai como jogador da seleção brasileira de basquete, numa difícil época da nossa história. Conte-nos como nasceu a sua inspiração para praticar esportes e o quanto ele o influenciou a ter uma vida saudável.

[Vera Cals] “Meu pai, Affonso Évora, medalha de bronze no basquete, nas Olimpíadas de Londres em 1948, primeira Olimpíada pós-guerra. Tenho certeza que, entre outras coisas, ele me marcou e me influenciou com sua disponibilidade e amor pelo esporte em qualquer modalidade, pelo espírito de competir, pela boa saúde, pela teimosia de vencer obstáculos e de gostar de desafios.

Fui sua companheira de treino, aos 4 anos de idade, quando ele me levava diariamente para o Estádio do Flamento, na Gávea, e eu ficava sozinha na arquibancada assistindo o treino do time do Flamengo onde ele era titular. Um ídolo, um herói.”.

[GB B.] Ainda sem saber de quem se tratava, você teve a oportunidade de conhecer o Grande Mestre Carlos Gracie – algo que mudou a sua vida. Como foi essa experiência? 

[V. C.] “Em 1982 conheci o Grande Mestre Carlos Gracie. Nessa época eu malhava em uma academia e o meu professor ficou com hepatite. Depois de um tempo sem conseguir se recuperar foi aconselhado por umas pessoas ligadas ao jiu-jitsu a procurar o “Dr. Carlos” que tinha um método natural, sem remédios. Ele foi e rapidinho ficou curado e voltou as aulas.

Esse resultado me interessou muito porque eu já tinha abolido a carne vermelha e branca da minha dieta e como eu me exercitava muito achei que poderia dar uma organizada nessa parte alimentar. Marquei então uma consulta com ele e fui.

depois que recebi a dieta e contei para meus amigos é que fiquei sabendo que eu tinha conhecido o Grande Mestre Carlos Gracie. Não foi por acaso.”

O endereço era uma casa numa rua de Ipanema. Achei que seria um consultório médico mas era a própria casa dele. Aguardei no sofá da sala e ele apareceu, me cumprimentou e sentou numa poltrona na minha frente. Começamos a conversar e ele me fez algumas perguntas sobre minha vida, meu hábitos, minhas vontades e outras bem subjetivas. Eu achei que no mínimo ele
iria medir minha pressão arterial (risos).

Mãe e filha treinam juntas

Pediu então que voltasse em uma semana para que eu recebesse a minha dieta junto com umas ervas para chá preparadas por ele. Quando retornei ele me entregou várias folhas de papel datilografadas e alguns saquinhos com as ervas. Ainda voltei lá umas 4 vezes. Segui essa dieta rigorosamente durante muito tempo. Hoje faço algumas adaptações mas continuo dentro da mesma filosofia.

Sobre a minha saúde, não como nenhuma carne desde 1982. Estou com 72 anos, nunca fiz nenhuma cirurgia, nunca tomei nenhuma anestesia, nem nenhum exame invasivo. Treino diariamente jiu-jitsu e 4 vezes por semana treino spinning. Faço check-up anualmente com teste cardio respiratório, etc.

Não deixo a idade me pegar. Corro na frente dela.

Sobre o “Dr.Carlos”, depois que recebi a dieta e contei para meus amigos é que fiquei sabendo que eu tinha conhecido o Grande Mestre Carlos Gracie. Não foi por acaso.”

 

[GB B.] Um verdadeiro exemplo para todos da GB, você aos 72 anos é faixa roxa e treina diariamente. Quais seus próximos objetivos na arte suave? Qual o segredo para tamanha disposição?

[V. C.] Eu quero viver bem, continuar cuidando da minha saúde para que ela me devolva energia para treinar porque tenho muito o que aprender. Encaro os treinos, qualquer um deles como um desafio. Ainda bem que encontrei o jiu-jitsu. Sinto no meu corpo físico e espiritual os seus benefícios. Ainda bem que minha vida mudou quando pisei pela primeira vez num tatame em 2012, com 68 anos.

 

 

Algumas conquistas nas diferentes modalidades que Verinha praticou e pratica na vida

 

Equilíbrio também é seu ponto forte ;)

 

 

 

 

 

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